e adoro quando a gente conversa e discorda e se entende e se gosta e se sente e se toca e se envolve e adoro até quando sua boca morde meu braço no momento que eu já estou sentindo você inteiro e ainda querendo sentir mais de tudo que vem de você e de tudo que você é.
e adoro quando …
e eu, lendo, co…
e eu, lendo, comecei a pensar que até hoje não fiz isso.
da falta
… de ansiedade.
é que transborda, é que sacia, é que não falta, é que é seu, é que é você, é que é isso tudo, é que não paro, não paro, meu bem, eu não paro e não conseguiria parar, porque é tanto, tanto, tanto, tanto, que sei que existe tal como sei que em seis horas já será dia e é tanto, tanto, tanto, tanto que existe por si só no mundo e que vai continuar a existir enquanto houver escuridão às 22h. é que é tanto, é tanto, que silencia. que não perturba. que deixa não pensar em nada. que deixa vivo e ali, certo.
um ano
você disse que sabia que seria assim desde que espalhou cola em meu ombro amigo.
eu disse que sabia que não poderia ser diferente, porque dessa vez era você ali comigo.
conselho.
- sinto mesmo uma vontade sem tamanho de te empurrar. até faria isto se tivesse sua idade. se bem que deve ser por você ter esta idade que faz isso, não é? aí fica esperando a minha resposta, como se ela fosse condizente com a sua. mas ó, vou te contar um segredo: eu já fiz isso aí. o que você tá fazendo e o que sinto vontade de fazer, e por ter feito já sei o resultado de tudo. se bem que você também deveria saber, não é? não é preciso ser velho pra saber que isso é errado. também não precisa pensar muito pra entender a lógica desse assunto. eu sei que isso dói, mas há que se entender que nem tudo acontece do jeito que queremos. e este entendimento é algo que acalenta qualquer alma. não confunda isso com falta de confiança ou acomodação. é só saber a hora de parar. a hora de se preservar. a hora de ser um tanto mais delicada, a hora de olhar para o lado. isso, quando envolve tantas pessoas, dói além da conta. além da conta sim, porque se tem algo que aprendi com esses anos que me separam de você é que dor quem tem de sentir sou eu quando faço alguma cagada. as outras pessoas pouco ou quase nada tem em conta com isso. seja essa a dor do arrependimento, do desespero, da desestruturação ou qualquer outra que venha. nem é esta a responsabilidade que seus pais te pediam não. não é fazer o dever de casa na hora certa, nem é ter notas boas. é ser honesta. é não ser pedante. é se ver como alguém que tem valor. e ah… é claro que você tem valor. seja ele correspondente com a quantia que for. você tem isso em si, embora o que faça só te faça ter menos uns centavos na estimativa de preço do que me faça perder alguns.
é só uma formiga, mas ainda carrega sobre si algo que é umas quinze vezes maior que ela
com sorte, quinze.
o tempo
mas quem pode com o rio e o mar?, perguntara o mocinho amigo que tanto gosto. eu não posso. eu não. e meu bem, há 331 dias que não posso com você também.
100
eu queria que o centésimo soasse como minha redenção de tudo de ruim que já escrevi, que fosse algo que se não soasse como borracha ou desculpas, que não tivesse este tom conformista de quem já não tem mais do que reclamar por se habituar à desgraça iminente da vida.
mesmo porque é mentira.
se a desgraça prometida é esta, deixa vir, deixa. deixa que eu me sinto mais que pronta e forte para suportá-la mais uma centena de vezes.
contra kant e contra ninguém – I
- você será demitida se continuar falando palavrões assim.
- todos eles falam! todos eles! [aponta, desesperada]
- não estou ouvindo nada agora. [sorri, maliciosa]
- filhos da puta. filhos da puta!
[o único livro que abriu a boca logo tratou de fechá-la. ele também precisava do salário.]
eu gosto de contar o tempo, sabe? é que nada pra mim parece ser tão genial quanto a sequência do tempo e como nós o percebemos. aqui já vão quase 100 dias desde que… desde que falamos algumas coisas que mudariam todas as outras.
neste tempo você quebrou a regra dos dois anos em cwb [em que você só viajava de dois em dois, lembra?] e nem foi para tomar devassas comigo. foi para… para fazer tudo que fizemos e para que as expectativas fossem todas superadas, uma vez que eu não esperava chegar assim, tão longe. e não por falta de xxxxxxxxxx, mas por não saber mesmo o que esperar de mim, de você e de nós dois juntos.
é estranho ainda, sabe? é estranho porque, apesar de todas as promessas que não nos fizemos e de todo este “descomprometimento comprometido”, eu realmente sinto que sinto o tanto suficiente para não precisar colocar pontos e nem vírgulas nesta narrativa. que dirá, benzinho, ponto final.